Luiz Fernando Figueiredo e Rafael Ihara

Estadão (publicado14/10/2021)

Um dos principais fatores que pressionam a inflação é a alta do dólar, principalmente por conta da alta das commodities. Quando elas sobem no mercado internacional, a moeda aprecia como consequência, o que reduz os efeitos inflacionários. Não foi o que aconteceu com o Brasil, pelo contrário, por conta das incertezas políticas, institucionais, mas principalmente fiscais, esse choque de preços foi “dobrado”.

Uma parte significativa da depreciação da nossa moeda está relacionada a um prêmio cobrado pelos investidores para compensar esses riscos, político e fiscal. Em relação ao fiscal, o governo deve sinalizar políticas compatíveis com uma queda do endividamento público, evitando o populismo eleitoral com auxílios insustentáveis. Já em relação ao político, deve haver clareza em respeito às regras do jogo e instituições que garantem o funcionamento da democracia, rupturas deveriam estar totalmente fora de cogitação.

Além disso, uma agenda clara de reformas macro e microeconômicas é essencial para elevar a taxa de crescimento do País e, consequentemente, atrair fluxo de capital, que contribui para a apreciação cambial. Esse processo associado a um Banco Central vigilante e firme, como tem  sido o caso, são respostas significativas a esse excesso de choques e inflação muito elevada.

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