Palestrante: Embaixador Roberto Azevêdo

Nota:

Roberto Azevêdo comenta a reação antiglobalização, avanços recentes na OMC e a perspectiva para o Brasil. 

Resumo:

A conjuntura internacional e a reação antiglobalização. As verdadeiras causas da insatisfação e soluções. O protecionismo, apesar da retórica, ainda não se manifestou com força. A renovação e os avanços da OMC. Perguntas, respostas e debate.

Conjuntura internacional

  • A economia e o comércio internacionais têm crescido lentamente.
  • O comércio cresceu 1,3% em 2016, a taxa anual mais baixa desde 2009, no rastro da Grande Recessão.
  • Espera-se que o comércio cresça não mais do que 3% em 2017.
  • A retórica antiglobalização avança no mundo: a globalização é vista como um privilégio restrito às grandes corporações e à elite, e um detrimento aos empregos dos desfavorecidos.
  • Esta percepção é errônea: a destruição de empregos deve-se mais à inovação tecnológica.
  • No entanto, é mais fácil pôr culpa em outros países e imigração.
  • Ao cabo, a solução derivada de um diagnóstico equivocado não remediará o problema.

Soluções

  • Como, então, podemos apoiar trabalhadores e tirar o estigma do comércio?
  • O principal destruidor de empregos é a inovação tecnológica, que acelerou bastante recentemente.
  • Estima-se, por exemplo, que dois terços das crianças nos EUA hoje trabalharão em funções que não existem hoje.
  • Não é razoável, no entanto, impedir o avanço tecnológico.

 Sugestões:

  • Educação: uma mão de obra mais educada é menos exposta à destruição de empregos;
  • Treinamento: pode-se adaptar a força de trabalho a novas funções;
  • Seguridade Social: trabalhadores, especialmente os mais velhos, podem ter dificuldade em se adaptar e não podem ser abandonados ao desalento.

Como reabilitar a imagem do comércio internacional:

  • Informar e esclarecer seus benefícios;
  • Torná-lo mais inclusivo, em particular às empresas menores.

Protecionismo

  • Em meio à reação antiglobalização, o discurso protecionista ganhou aderência.
  • Retórica à parte, não houve muitas medidas protecionistas de fato.
  • Calcula-se que 5% do volume do comércio internacional atual seja afetado por regulações feitas desde 2008.
  • Esta cifra não é desprezível, mas sequer se compara ao impacto causado pelo protecionismo que seguiu a Grande Depressão.
  • O ímpeto protecionista foi contido, portanto.

Avanços recentes da OMC

  • A OMC está em transição, depois do fracasso em fazer acordos no período entre 1995 e 2013.
  • Desde 2013, permite maiores flexibilidades e prazos aos países para se conformarem a acordos multilaterais.
  • A nova abordagem rendeu resultados. Os mais notáveis:
  • O Acordo de Facilitação de Comércio;
  • Restrições a subsídios a exportação de bens agrícolas.

Há ainda vários projetos em andamento, dos quais se destaca a redução de subsídios domésticos.

Perguntas e respostas

  • Pergunta: O poder da OMC depende, no final, do reconhecimento dos países que a compõem. Se o maior deles, os Estados Unidos, ignora-a, ela não perderá sua efetividade?
  • Resposta: Os EUA podem não gostar da estrutura nem das decisões da OMC e manifestá-lo, mas reconhecem-na.
  • Pergunta: Como vê a retórica de Trump?
  • Resposta: Com preocupação, mas Trump não tem poder ilimitado, visto que está sujeito ao Congresso, que por sua vez sofre pressão do empresariado. Seu border tax, por exemplo, não vingou.
  • Pergunta: A maior flexibilidade dada aos países não tira os dentes da OMC?
  • Resposta: A maioria dos países, inclusive os maiores, adere aos acordos rapidamente para evitar litígio e discussões. Os países que tomam os prazos mais longos, por sua vez, dispõem-se a entrar nos acordos.
  • Pergunta: Precisamos melhorar a governança de comércio exterior brasileira?
  • Resposta: Problema do Brasil não é governança, mas falta de competitividade. É necessário abrir gradualmente o país à concorrência, malgrado manifestações contrárias do empresariado nacional.
  • Pergunta: Há não muito tempo, o setor agrícola era subsidiado no Brasil, e extremamente ineficiente. Com investimento em pesquisa, sobretudo a Embrapa, hoje o Brasil figura como um dos mais eficientes produtores de bens agrícolas. A indústria, por outro lado, agarra-se a seus subsídios, exige proteção e fica estagnada. Não se pode esperar por um consenso.
  • Resposta: De fato, não basta que uma proposta gere emprego para ser boa. O isolamento comercial brasileiro custa muito ao país.  Resumo e Nota do Evento preparados por: Maurício Schwartsman