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Ministro da Justiça falou também em ajustar o diálogo com os parlamentares durante a tramitação da proposta

Debate sobre os desafios do combate à corrupção com o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. Foto: Felipe Rau / Estadão

SÃO PAULO – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, afirmou que o governo espera a aprovação do pacote anticrime no Congresso “o mais rápido possível”. Ele falou também em ajustar o diálogo com os parlamentares durante a tramitação da proposta.

“Nós temos conversado com parlamentares e com as lideranças de ambas as Casas [Câmara e Senado]. O desejo, evidentemente, do governo é que seja aprovado, discutido, eventualmente alterado e aperfeiçoado o mais rápido possível”, disse Moro após participar do evento “Estadão Discute Corrupção”, realizado na sede do jornal O Estado de S.Paulo em parceria com o Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) para discutir as operações Lava Jato e Mãos Limpas.

“Agora, o tempo do Congresso pertence ao Congresso. O que tenho sentido, porém, em conversa com muitos parlamentares é uma grande receptividade, a questão apenas é de ajustar o debate e o diálogo”, declarou.

O ministro da Justiça e Segurança Pública se defendeu das críticas de que o projeto anticrime encaminhado ao Congresso não estaria baseado em estudos técnicos, mas apenas em convicções do governo do presidente Jair Bolsonaro.

“São questões tão óbvias e eficazes no enfrentamento à criminalidade, que não precisa ter ali os estudos específicos e direcionados para aquela provisão em questão. São medidas que já foram testadas e universalmente reconhecidas como eficazes”, declarou Moro.

Mandato. Ao falar sobre a proposta de estabelecer mandato para a cúpula da Polícia Federal, o ministro disse que essa é uma opinião pessoal e que não deverá ser discutida no início do governo, mas no futuro. Em sua fala no evento, Moro prometeu equipar a PF e fortalecer as equipes da Operação Lava Jato e de outras investigações.

Perguntado sobre as comemorações do golpe militar de 1964, incentivadas pelo governo, Moro não quis responder e encerrou a entrevista que concedia à imprensa. O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), também não quis entrar em detalhes, mas declarou: “Não é difícil imaginar o que eu penso.” Em falas anteriores, Barroso já criticou a defesa da ditadura militar.

Por Altamiro Silva Júnior, André Ítalo Rocha, Daniel Weterman e Mateus Fagundes