Entrevistas

Mesquita, do Itaú, não vê agenda fiscal como tema principal de candidatos nas eleições

Para economista-chefe, é difícil ver políticos explicitarem em campanha medidas de ajuste a serem adotadas; além disso, acrescentou, pesquisas mostram mais preocupação do eleitor com crime e corrupção

Valor

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mário Mesquita, não acredita que o tema fiscal será abordado com profundidade pelos candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano.

“Não acho que o tema vai ser abordado com profundidade. Vejo os principais candidatos se manifestando reiteradamente a sua preocupação com a estabilidade e a sustentabilidade fiscal, mas sem entrar em detalhes”, disse.

Em sua leitura, é muito difícil ver um político fazendo campanha explicitando as medidas de ajuste que serão adotadas. “Por outro lado, as pesquisas que a gente tem acesso indicam que o que está preocupando mais a população nesse momento é crime e corrupção”, afirmou.

Para Mesquita, os investidores estrangeiros continuam vendo o Brasil como uma alternativa de investimento. “Isso pode até levar a um fortalecimento da moeda no curto prazo, mas também não tem aquele entusiasmo quando se olha o Brasil pensando que vai virar uma economia que passará a crescer muito mais rápido.”

Fundos de portfólio veem o Brasil mais como um lugar para se fazer operações de cunho oportunístico do que um lugar que vai um grande “driver” de crescimento. “O Brasil tem empresas fantásticas e essas empresas atraem capital e os estrangeiros querem investir, mas ainda não é o caso de ver uma onda de investimento estrangeiro entrando no Brasil por apostar num crescimento rápido da economia brasileira.”

Link da publicação: https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/01/20/mesquita-do-ita-no-v-agenda-fiscal-como-tema-principal-de-candidatos-nas-eleies.ghtml

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