Folha
Na terça-feira (3), o IBGE divulgou o desempenho da economia em 2025. Após quatro anos em que os analistas sistematicamente subestimaram o crescimento, em 2025 eles não foram mal. Em dezembro de 2024, a pesquisa Focus apontava 2% de crescimento para 2025. De fato, a economia se expandiu um pouco mais, 2,3%, apresentando expressiva desaceleração em relação aos 3,4% de 2024.
No entanto, a desaceleração foi ainda maior. Em 2025, a agropecuária cresceu 11,7%, ante recuo de 3,7% em 2024. Analogamente, a indústria extrativa mineral, que avançara 0,5% em 2024, no ano que passou cresceu 8,6%. Se considerarmos os setores mais cíclicos, isto é, aqueles que respondem à política monetária e fiscal, a desaceleração foi de três pontos percentuais, de 4,5% para 1,5%. A demanda privada, a soma do consumo com o investimento privado, desacelerou de 5,7% para 1,7%. O investimento desacelerou de 6,9% para 2,9%. Sempre considerando a comparação de 2024 com 2025.
Em razão do forte aperto monetário e do freio do crescimento do gasto público primário —que cresceu 1,5% em 2025, ante 6% em 2024 e 9% em 2023—, a desaceleração não somente era esperada como é um bom sinal: a economia responde bem à política econômica. A política econômica induziu uma desaceleração pois temos a economia a plena carga com sinais de inflação de serviços muito elevada. A política macroeconômica de boa qualidade tem gerado as condições para um ciclo de queda das taxas de juros que deve se iniciar agora em março.
Com os dados para 2025, podemos olhar o desempenho da economia brasileira a médio prazo. Desde 2019, tomando como ano-base 2018, houve fortíssima queda da taxa de desemprego. Ela se reduziu em 6,4 pontos percentuais, de 12,5% em 2018 até 5,8% em 2025.
Nos sete anos transcorridos de 2019 a 2025, tomando como base 2018, o crescimento da economia foi de 2% ao ano, a expansão das horas trabalhadas, de 1,9% ao ano, e, portanto, o crescimento da produtividade do trabalho foi de ridículo 0,1% ao ano!
Vale compararmos com o desempenho da economia brasileira nos oito anos de 2004 a 2011, tomando como base 2003. Esse foi outro período em que a taxa de desemprego apresentou expressiva queda, de 3,4 pontos percentuais, de 11,4% em 2003 para 8% em 2011.
Nos oito anos transcorridos de 2004 a 2011, tomando como base 2003, o crescimento da economia foi de 4,3% ao ano, o das horas trabalhadas, de 1,6% ao ano, e, portanto, o crescimento da produtividade do trabalho foi de belos 2,7% ao ano!
A péssima notícia é o comportamento muito ruim da produtividade do trabalho nos sete anos de 2019 até 2025. Crescer 0,1% ao ano significa que a capacidade de crescimento da economia, agora que a ociosidade no mercado de trabalho foi eliminada, é muito baixa.
Nos dois períodos, 2004 a 2011 e 2019 a 2025, tivemos um longo ciclo de aceleração do crescimento e queda da taxa de desemprego. No ciclo de agora, o crescimento e a ocupação da capacidade instalada não geraram ganhos de produtividade.
É tentador achar que a diferença seria que agora a desindustrialização teria sido mais intensa. Não é verdade. A preços constantes, a participação da indústria de transformação no PIB caiu 1,4 ponto percentual de 2004 a 2011 e 1,3 ponto de 2019 até 2025. Teremos de olhar para outro lugar.
Link da publicação: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/samuelpessoa/2026/03/a-produtividade-nao-tem-ajudado.shtml
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