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Francisco Lopes, um grande economista e pensador

Economista conseguiu dar uma volta por cima e manter o espírito firme o suficiente para se dedicar, inclusive, a uma reflexão profunda sobre psicanálise

Estadão

Francisco Lopes foi um grande economista e pensador. Preocupava-se em estar atualizado com os últimos desdobramentos da fronteira do conhecimento da macroeconomia, mas se apercebeu logo da importância de ler e estudar os mestres do passado.

Procurava fazer modelos macro consistentes, mas sempre adaptando-os aos nossos problemas e questões. O importante, dizia, é modelar do jeito certo. Não tinha medo de contrariar as opiniões vigentes, nem mesmo de revisar seus pontos de vista quando a realidade assim o impunha.

Além de suas contribuições ao pensamento econômico brasileiro, que foram muitas, participou, de forma direta ou indireta, de quase todos os planos de estabilização feitos no Brasil, do Cruzado ao Real. Fomos colegas como professores do Departamento de Economia da PUC-RJ.

Convidei-o em 1995 para ser diretor de Política Econômica do Banco Central, para criar o Copom e nos ajudar no enfrentamento dos desafios da manutenção da estabilidade de preços no período imediatamente posterior ao Plano Real.

Sua passagem como presidente do Banco Central foi infelizmente traumática, mas ele conseguiu dar uma volta por cima e manter o espírito firme o suficiente para se dedicar à uma reflexão profunda sobre psicanálise. Sim, psicanálise. Melhor demonstração da originalidade e inquietude de seu pensamento seria impossível.

Além de manter sua consultoria macro, ele encontrou tempo e energia para empreender uma crítica ao impulso de morte freudiano, substituindo-o pelo impulso lúdico, nossa propensão para manter uma vida ativa até que a morte nos alcance, publicando sua obra em inglês e depois em português. É uma grande perda.

Link da publicação:https://www.estadao.com.br/economia/chico-lopes-grande-economista-e-pensador-deu-volta-por-cima-apos-passagem-traumatica-a-frente-do-bc/

As opiniões aqui expressas são do autor e não refletem necessariamente as do CDPP, tampouco as dos demais associados.

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Persio Arida