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O economista chamou atenção ao fato de que o crescimento veio acompanhado do ajuste da inflação e da manutenção do desemprego no menor nível da série histórica.
“Com a taxa de juros que a gente tem no Brasil, o fato do país ter crescido 2,3% é surpreendente. Eu morava na Inglaterra quando a Margaret Thatcher apertou a política monetária para quebrar a espinha da inflação, que estava alta. Ela levou o juro primário, o equivalente ao juro primário na Inglaterra, a 16% ao ano, um pouquinho maior que o Brasil. A economia entrou em depressão, o PIB caiu 3%, o desemprego dobrou, chegou a 12 milhões de desempregados, o país desabou. No Brasil, a gente leva o juro a 15% e a economia cresce. ”
“O desemprego está no menor índice da série histórica. A potência da política monetária no Brasil é muito baixa. Porque você usa uma bomba atômica para colher um resultado ali, trouxe a inflação de volta para o intervalo definido pelo sistema de metas.”
Na avaliação de Giannetti, o recente quadro geral da economia e dos indicadores sociais permite dizer que o “saldo é positivo”, apesar de a percepção não estar chegando ao “brasileiro comum”.
“Tudo considerado, eu acho o resultado positivo. Nós crescemos acima de 3% durante quatro anos, contra todas as previsões dos economistas. Crescemos 2,3% num ano de política monetária brutal. E o desemprego, no menor índice da série histórica. O Brasil saiu do mapa da fome e melhorou cinco posições no IDH [índice de Desenvolvimento Humano]. Tem muita coisa boa acontecendo, mas isso não está chegando para o brasileiro comum.”
Giannetti disse que o fato de a economia não dominar o centro do debate em ano eleitoral sugere que a situação não é de crise, como seria em um cenário de inflação alta e desemprego elevado, e indicou que a segurança pública deve pesar mais no debate eleitoral de 2026.
“Acho que a questão da segurança vai ter um protagonismo nessa eleição, porque o brasileiro está se sentindo muito amedrontado e realmente isso pesa no dia a dia das pessoas mais simples, que se sentem apreensivas em relação à sua vida cotidiana.”
“O fato da economia não ser tão protagonista no ano eleitoral é sinal de que a economia não está tão ruim assim. Porque se tivesse com inflação de dois dígitos, com desemprego alto, a gente estaria colocando a economia na mais alta prioridade do debate público.“
Link da publicação: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/03/06/com-juro-a-15-crescer-23-e-surpreendente-diz-giannetti.htm
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