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Se Deus for brasileiro

Para combater o ciclo vicioso de desigualdade, crescimento limitado e juros reais dos mais altos do planeta, surge um conjunto de propostas elaboradas por mais de 50 especialistas

Estadão

A campanha já está nas ruas antecipada por Lula e Flávio, um na academia e outro na dancinha. Mas, dizem que Deus é brasileiro. É o ano de testar isso, e não estou falando da Copa do Mundo. O altíssimo nível de rejeição deles traz alguma esperança para um nome fora da polarização.

Ainda não se sabe o que querem para o País os outros potenciais candidatos. Dos favoritos não há novidade. Ambos alegam “vocês sabem o que fiz no verão passado”, como se fosse credencial. Sim, nós sabemos. Este é o problema.

A boa notícia é que começa a temporada de propostas para os futuros candidatos. Em geral, um pacote de sugestão vem de forma genérica, destacando pontos cardeais, como responsabilidade fiscal, saúde e educação, segurança, sem muita profundidade. Este ano, surgiu algo novo.

O Centro de Debate de Política Pública, (cdpp.org.br) acaba de lançar Caminhos do Desenvolvimento: Estabilizar, Crescer, Incluir, estudo coordenado pelos economistas Fernando Veloso, Marcos Mendes e Vinícius Botelho, os mesmos que construíram as bases do PL de Responsabilidade Social. Tive a honra de participar dos dois projetos e ser testemunha da qualidade do trabalho do trio.

Neste recém-lançado documento, convidaram mais de 50 especialistas em diferentes áreas para compor o texto final, destacando a interconexão dos vários temas. A sempre inevitável demanda por responsabilidade fiscal não aparece de forma isolada, coisa que os eleitores estão cansados de ouvir nas campanhas e os governantes não cansam de ignorar.

Muito resumidamente, os capítulos se conectam desta maneira: desequilíbrio fiscal gera inflação e juros altos, corroendo renda dos mais pobres e transferindo renda para os mais ricos, ampliando a demanda por políticas redistributivas, que exigem mais recursos públicos.

Em paralelo, políticas sociais mal desenhadas, que entregam benefícios de valor elevado a famílias de classes média e alta, têm custo fiscal mais alto que o necessário.

Junte-se a isso, crédito subsidiado e benefícios tributários concedidos a setores com maior capacidade de lobby, limitam a produtividade e travam o crescimento da economia.

Está tudo ligado, gerando um ciclo vicioso de desigualdade, crescimento limitado e juros reais dos mais altos do planeta. A novidade do documento é que cada ideia vem acompanhada de propostas de mudanças legislativas, prontas para serem aplicadas pelo novo governo.

Ia escrever algo bem diferente, com o título “Se gritar, pega ladrão”. Mas nem sempre se acha notícia boa, e resolvi aproveitar. Não se sabe quando aparecerá outra.

Link da publicação: https://www.estadao.com.br/economia/elena-landau/favoritos-ao-planalto-alegam-voces-sabem-o-que-fiz-no-verao-passado-sabemos-este-e-o-problema/

As opiniões aqui expressas são do autor e não refletem necessariamente as do CDPP, tampouco as dos demais associados.

Sobre o autor

Elena Landau