O fim está próximo

Alexandre Schwartsman

Estadão

O modelo de crescimento brasileiro se esgotou por mais de um motivo. Nos últimos anos, a combinação que levou o país a crescer ao ritmo de 3% ao ano se amparou em dois alicerces. Pelo lado da demanda, fortes estímulos ao consumo, seja sob a forma de crescentes transferências do governo às famílias, seja pelo incentivo ao endividamento. Já pelo lado da capacidade de produção, na utilização da ociosidade, principalmente da mão de obra, isto é, a redução da taxa de desemprego.

Ambos os alicerces encontraram seus limites.

Em 2021 a taxa de desemprego era 13,5%; hoje 5,5%. Tal redução acrescentou quase 2 pontos percentuais ao crescimento anual do PIB, mas não podemos mais contar com ela, senão pelos fatores econômicos, simplesmente porque a aritmética proíbe nova queda de 8 pontos percentuais da taxa de desemprego.

Daqui para a frente, o aumento da oferta de pessoas disponíveis para trabalhar depende do aumento da população (0,4% por ano) e da parcela da população em idade de trabalho (também 0,4% por ano). Para fazer crescer o produto além das variáveis demográficas, a alternativa restante é o desempenho da produtividade, que de 2021 para cá encolheu ao ritmo de 0,3% ao ano.

Este tema deveria ser central, mas permaneceu ausente de qualquer debate.

Dois outros limites se tornaram mais visíveis. As transferências do governo federal, medidas a preços de hoje, pularam de R$ 1,1 trilhão para R$ 1,5 trilhão neste intervalo. Tal fenômeno colaborou para a expansão da dívida pública, de 77% do PIB para 83% do PIB, pressionando as taxas reais de juros.

De forma similar, o comprometimento de renda das famílias com o serviço de suas dívida, que se encontrava ao redor de 26% em 2021, atingiu cerca de 30% em agosto deste ano. Não por acaso a inadimplência saltou de 4,4% em 2021 para 8% agora, apesar de Desenrolas e assemelhados, um dos motivos de insatisfação popular.

A superação destes limites exige nova orientação da política econômica. Por um lado, reformas que possibilitem o aumento da produtividade do trabalho, dentre as quais a liberalização do comércio exterior, no mínimo para patamares próximos aos observados em outros países latino-americanos, permanece como a mais promissora.

Por outro, a alteração da ênfase do consumo para o investimento no que se refere à demanda interna. Isso passa pelo ajuste fiscal pelo lado do gasto, permitindo que o juro caia e o investimento floresça.

O crescimento sustentável é possível, mas não virá sem reformas profundas.

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