Peso do capital físico na desigualdade de renda entre as economias

CDPP

FGV IBRE

O “fundamentalismo do capital” não se sustenta nos dados: diferenças de capitalização entre países ricos e pobres explicam muito pouco da desigualdade de renda; o que pesa mesmo é a eficiência — e o Brasil paga caro pela mobilidade urbana precária.

Em seu trabalho clássico de descrição do crescimento dos EUA, Robert Solow desenvolveu a ferramenta que ficou conhecida por decomposição de crescimento. A ideia é que o crescimento da economia americana entre dois momentos no tempo poderia ser descrito pela contribuição do crescimento do número de horas trabalhadas e pela contribuição do aumento do uso de serviços de capital físico. Estavam disponíveis à época bases de dados com o crescimento quantitativo do emprego de trabalho e capital. Para transformar o emprego de trabalho e capital em produto, empregava-se a renda de cada fator, isto é, a remuneração média da hora-homem e a remuneração média da hora-máquina. Sob a hipótese de competição perfeita no mercado de fatores, a remuneração por hora é igual à produtividade.

O resultado de Solow, à época surpreendente, foi que o crescimento do produto era muito maior do que a soma da parcela atribuída ao trabalho e a atribuída ao capital. Surgiu o resíduo de Solow. O resíduo essencialmente é o progresso tecnológico. Invenções e avanços no conhecimento que permitem que a produtividade se eleve sem que haja maior emprego dos fatores.

Link da publicação: https://blogdoibre.fgv.br/posts/peso-do-capital-fisico-na-desigualdade-de-renda-entre-economias

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