O mais urgente é o ajuste nas contas públicas: sem uma redução no crescimento dos gastos públicos, não teremos uma redução significativa dos juros
Estadão
A campanha eleitoral, que começou neste domingo, 16, deveria ser um momento para que nós, os brasileiros, pudéssemos examinar as propostas dos candidatos a Presidente da República para o País. Digo “seria” porque, ao menos desde 2018, as campanhas evitam temas considerados difíceis. Vou me ater aqui a três questões da economia que considero fundamentais.
Começo pelo mais urgente, o ajuste nas contas públicas. Com a dívida pública em 81,9% do PIB e um ambiente de juros mais altos, o Brasil não pode seguir gastando tanto e buscando financiamento como na escala atual. Um ajuste fiscal efetivo implicará mudanças em diversas áreas, inclusive nas mais delicadas. Seria importante que os candidatos detalhassem suas propostas.
Sem uma redução no ritmo de crescimento dos gastos públicos, não teremos ambiente econômico necessário para uma redução significativa dos juros. Portanto, de nada adianta candidatos prometerem mais crescimento econômico se não tiverem um compromisso com um freio nos gastos.
Para conseguir esse freio e ter uma economia mais saudável, é fundamental um reforço do arcabouço fiscal. O Ministério da Fazenda já falou em reduzir de 2,5% para 1,5% o aumento real das despesas de um ano para o outro. É positivo, mas desde 2023 o governo exclui gastos dos limites para evitar penalidades pelo descumprimento formal das regras. Seria importante que os candidatos firmassem um compromisso de acabar com esses dribles. É importante levar em conta que o melhor programa social que existe é o emprego.
O terceiro ponto é a aprovação da reforma administrativa, que está pronta para ser votada. A máquina pública tem um número excessivo de carreiras, diferentes regras e verbas extras com os mais diversos nomes. Algumas carreiras se beneficiam dos chamados penduricalhos, pagamentos extras que geram salários acima do teto constitucional. A reforma é capaz de reduzir injustiças e o custo da máquina pública.
No ano passado, o governo gastou R$ 408 bilhões com funcionários públicos – incluindo salários, sentenças judiciais e precatórios mais encargos –, 4,3% mais que em 2024. Se nada for feito, a tendência é que esse valor siga crescendo e o Ministério da Fazenda tenha de buscar dinheiro para honrar reajustes salariais. Reformas precisam de empenho do governo e do Congresso. Sem o empenho pessoal do presidente, a tendência é de que as coisas sigam como estão.
Sei que os três temas não são populares, podem até custar votos. Mas os candidatos deveriam tratar deles porque, em última instância, são fundamentais para o País crescer de forma sustentável e gerar empregos e renda.
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