Palestrante: Evan S. Medeiros

Nota:
O debate girou em torno da situação política e econômica na China atual, discutindo a transição da velha para a nova economia e as reformas que têm sido feitas no período recente pelo presidente atual Xi Jinping. Questionou-se sobre se a economia chinesa terá um “hard landing” ou “soft landing”, isto é, se a queda do seu crescimento acarretará em recessão ou não.

 Resumo:

  • Realizou uma reforma anticorrupção dentro do Partido Comunista em busca de melhorar a legitimidade dele perante o povo chinês.
  • Tem como objetivo realizar uma série de reformas na China: política, econômica, de segurança e de tecnologia e informação.
  • Apoia-se no Partido Comunista e nas forças armadas no processo de consolidação de seu poder.
  • Utiliza a publicidade e propaganda para construir uma imagem mais favorável de si.
  • Logrou consolidar o seu poder de uma forma mais centralizada e efetiva, de forma a ter mais controle sobre as decisões políticas.
  • Situação política da China:
    -Presidente: Xi Jinping. Tem se mostrado mais radical na política e nas reformas que o seu predecessor Hu Jintao.
  • Reformas promovidas por Xi Jinping
    -O desafio é se será possível implementá-las rápido suficiente enquanto o crescimento econômico cai. É necessário estabilizar expectativas quanto ao crescimento.
    -Forças Armadas: reorganização da Marinha, Exército e Força Aérea para se proteger e estar preparado para um conflito real com as ameaças que a China enfrenta atualmente.
    -Reforma fiscal: é necessário colocar um chão para o crescimento e garantir que o país crescerá o suficiente e manterá suas obrigações para evitar um colapso financeiro.
    -Reformas pró-crescimento: sistema de saúde, previdência social, cortes de impostos, pensões. Essas medidas ajudarão a manter o crescimento robusto através do consumo e de abertura de novas áreas para os serviços crescerem.
    -Questão de urbanização e imobiliária: grande crescimento do setor de propriedades gerou um excesso de casas, mas agora quem irá compra-las? Felizmente há muitos trabalhadores migrantes que as comprariam e garantiriam que o setor se mantenha crescendo.
    -Alguns setores da indústria estão com excesso de capacidade, o que é ruim para o crescimento. Algumas reformas do lado da oferta são necessárias para estabilizar essa situação.
    -Reforma do sistema financeiro: bancos, sistema de seguros. Procuram garantir que o dinheiro esteja seguro e disponível de forma eficiente para garantir possibilidade de consumo. Problema é a questão da corrupção do sistema, que também está sob a reforma anticorrupção.
    -A possibilidade de uma crise financeira, devido à queda de alavancagem, é contornada devido aos altos níveis de poupança do país. Além disso o Governo pode utilizar outros meios para controlar uma possível crise, de forma que dificilmente isso acarretará em um “hard landing”.
  • Política Externa
    – A China está mais preocupada em política interna do que com a política externa, de forma geral. A política externa é importante para conseguir o capital e os insumos necessários para manter o crescimento, mas as reformas internas são prioridade.
    – No entanto, Xi Jinping preocupa-se também em transformar a China em uma potência na Ásia.
    -Ele se preocupa com o papel e o poder dos EUA na região e quer redefinir algumas das regras, assegurando os seus direitos e conquistando um poder maior na região.
    -Taiwan e o mar do sudeste da China são territórios de interesse que geram conflito para a China.

Questões para debate:

  • O que o Mercado não está entendendo sobre a situação chinesa? Parece que as decisões do Governo são mais políticas que econômicas.
  • Há uma crise de confiança do mercado quanto à economia chinesa devido a dois eventos que ocorreram nos últimos meses: o colapso do mercado de ações de Xangai e o novo mecanismo de fixação do câmbio. Além disso, uma série de incertezas sobre decisões ruins do Governo chinês geraram uma ansiedade no mercado.
  • O Mercado financeiro não tem uma compreensão da natureza da tomada de decisão do Governo chinês. Além disso, o mercado financeiro não tem muito como expressar sua ansiedade sobre a economia chinesa; há poucas maneiras de pressioná-la.
  • Não é possível tentar colocar o padrão de economia americano sobre a economia chinesa. Portanto, existe uma impaciência associada a uma falta de entendimento sobre a China.
  • Quais são os objetivos estratégicos da China?
  • As intenções são misteriosas, mas é possível observar as inclinações estratégicas quanto ao seu papel na Ásia e no mundo. Na Ásia, ela procura ter hegemonia e resolver as questões territoriais.
  • A China busca ter relações econômicas com os países para garantir sua posição política.
  • Ela não está confortável com o poder dos EUA na região, com a sua presença militar quanto econômica.
  • Em termos globais, a China não tem ambição de se tornar uma potência tão forte quanto os EUA, pois isso a distanciaria de atingir os seus objetivos domésticos. No entanto, não querem sair do jogo: quer ter um papel forte o suficiente para impedir que o papel dos EUA cresça demais na Ásia e no mundo.
  • Como a política fiscal pode auxiliar o crescimento?
  • Ainda há infraestrutura a ser construída, principalmente no interior: estradas, ferrovias de alta velocidade, aeroportos.
  • Reformas de bem estar social: previdência, saúde, etc.
  • A transição de uma economia baseada em exportações para uma baseada em consumo pode trazer turbulências na economia devido a uma perda da lucratividade das empresas associada a um aumento dos salários reais?
  • O palestrante discorda que a economia chinesa seja baseada principalmente em exportações, afirmando que é na verdade baseada em investimentos, produção industrial, construções e no setor imobiliário.
  • O valor adicionado das exportações no crescimento econômico é baixo, ainda podendo crescer mais.
  • Essas turbulências estão mais associadas à incertezas quanto à transição da velha para a nova economia e se a China conseguirá realizar as reformas necessárias rapidamente.
  • A turbulência não está diretamente associada a uma recessão, pode haver somente uma queda do crescimento sem recessão.
  • As reformas que estão sendo realizadas não parecem estar tornando o país mais aberto ao mercado. As privatizações poderiam ser uma fonte de crescimento, por exemplo, mas a China parece que não irá por essa via. O mercado se preocupa com a direção que as reformas estão tomando. Reformas para crescimento não precisam de reformas de mercado também?
  • As reformas de mercado são um processo gradual, mas na verdade a presença do setor privado já é bastante significativa.
  • A China não quer entrar em uma crise financeira devido a reformas de mercado, que poderiam ser geradas devido a uma alteração das expectativas.
  • Quanto aos objetivos de dobrar o PIB e o PIB per capita, é possível?
  • São metas muito otimistas e Xi Jinping não arriscaria sua legitimidade para alcança-las.
  • Como as leis de proteção do meio ambiente podem afetar os investimentos?
  • A China está tentando criar um ambiente mais transparente, confiável regulado para os chineses, não necessariamente para os investidores externos.
  • Realizar isso para os investidores externos para obter mais investimento direto externo é um desafio. Para que isso aconteça, a mudança é gradual.
  • Processo de desalavancagem: é necessário aumentar o nível de alavancagem do país através do investimento em projetos que tenham resultado. O nível de confiança do Governo é importante para isso e o crescimento da dívida pode ser um problema para essa situação.
  • É realmente possível entender a China?
  • Ao estudar e conhecer a língua e o país, construir relações e obter informações, ela se torna cada vez menos uma caixa preta.Resumo e Nota preparados por: Caterina Soto Vieira