Valor (publicado em 14/09/2021)

Executivo assume diretoria do Departamento do Hemisfério Ocidental em janeiro

O economista Ilan Goldfajn, que foi anunciado ontem como o novo do diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), tem dois desafios imediatos quando assumir o cargo, em 3 de janeiro de 2022: a negociação dos programas de socorro da Argentina e do Equador.

O organismo reforça o seu time às vésperas de sua reunião de primavera, com o primeiro brasileiro a ocupar a função, num período que promete ser agitado no Hemisfério Ocidental, com o crescimento do endividamento de países da região durante a pandemia.

Os temas incluem, por exemplo, a Colômbia, que passa um período de instabilidade, com protestos. O país, a exemplo do México, tem uma linha de contingência assinada há vários anos pelo FMI com países com a macroeconomia em ordem. O Chile terá eleições em novembro. Há, ainda, a situação do Peru, onde assumiu um governo à esquerda, e a Venezuela, que teve atritos e congelou a sua relação com o organismo. O corpo técnico do Fundo chegou, na semana passada, a um entendimento para a segunda e terceira revisões do acordo com o Equador, que ainda seguirá exigindo atenção do departamento durante um bom tempo.

A Diretoria do Hemisfério Ocidental é responsável, ainda, pela relação com os Estados Unidos, o maior sócio do Fundo. Nesse caso, não há programas de empréstimos, mas o FMI faz a revisão da política econômica americana, incluindo temas fiscais e monetários. No passado, o foco foi nos efeitos da expansão quantitativa no resto do mundo e na recomendação de estímulos fiscais.

Um outro tópico importante na região é o aquecimento global, que tem causado prejuízos na América Central e Caribe, além da assistência a países pobres da região, como o Haiti.

Ilan vai assumir o cargo que antes foi ocupado pelo mexicano Alejandro Werner, que foi colega de doutorado do brasileiro no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Ao deixar a função, o próprio Werner convidou Ilan para disputar a seleção aberta, que incluiu ex-ministros da Fazenda e outros dirigentes na área econômica da América Latina.

Será a segunda passagem de Ilan pelo FMI. Entre 1996 e 1999, ele foi pesquisador do Departamento de Mercados de Capitais do organismo. Depois, juntou-se às missões de assistência a Coreia e Indonésia na crise asiática.

Ilan assumirá uma posição no corpo técnico do FMI, o que é diferente do cargo de representante do Brasil no organismo, hoje exercida pelo ex-diretor do Banco Central Afonso Bevilaqua. O Brasil já chegou a ocupar a terceira função mais importante no organismo, com o ex-secretário do Tesouro e ex-presidente da Febraban, Murilo Portugal.

“Estou muito feliz que Ilan irá se juntar à nossa equipe como novo diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental. Ele tem uma impressionante experiência nos setores público e privado e é altamente respeitado como acadêmico”, afirmou a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva.

Até janeiro, Ilan fará a transição no Credit Suisse para Ana Paula Pessoa, que assumirá o cargo de presidente do Conselho do banco no Brasil. A executiva faz parte do Conselho de Administração do Credit Suisse Group AG e do Credit Suisse AG desde 2018. Também é presidente do Conselho do Credit Suisse Bank (Europe).

O ex-presidente do Banco Central também fará a transição no Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP), um centro de estudos que ajudou a fundar em São Paulo, do qual é diretor.

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