Entrevistas

‘O próximo mandato deve ter um plano de ação’, diz Fábio Barbosa, curador do ‘Brasil Adiante’

Estadão

Executivo responsável pela curadoria do ciclo de debates que será promovido pelo Estadão, Barbosa destaca que projeto não buscará diagnósticos sobre os problemas do País, mas conjunto de propostas concretas para saná-los

Os principais problemas do País já são conhecidos. Por isso, o Brasil Adiante, ciclo de debates promovido pelo Estadão, não pretende diagnosticá-los, mas, sim, apresentar soluções concretas para os problemas que todos concordam em apontar. É assim que o executivo Fábio Barbosa, curador do projeto, estruturou os três eixos de trabalho.

Ao longo de cinco encontros, especialistas e lideranças da sociedade civil discutirão temas como economia, saúde, educação, instituições, entre outros. “O próximo mandato deve ter um plano de ação, pois não dá para chegar lá sem ter nada de concreto”, disse Barbosa. “O que queremos com o Brasil Adiante é apontar a direção e quais obstáculos terão que ser contornados ou vencidos para que essas sugestões possam caminhar”.

O material dos debates será sintetizado em um documento que será entregue ao presidente eleito em novembro deste ano. Segundo o executivo, espera-se que o sumário “sirva como balizador para que a próxima gestão, ao menos, possa avaliar as propostas”.

Barbosa destaca o primeiro biênio da próxima gestão como o momento crítico para que as propostas avancem a tempo de gerarem os primeiros resultados já no final de 2030, quando se encerra o próximo mandato presidencial.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.


O que é o projeto Brasil Adiante?

O ponto de partida é que precisamos de um projeto pro País, de medidas concretas que possam ser tomadas por uma nova gestão. O próximo mandato deve ter um plano de ação, pois não dá para chegar lá sem ter nada de concreto. O mais importante é que os debates não serão em torno de quais problemas afligem o País. Não falaremos tanto do diagnóstico, mas, sim, de quais são as propostas, quais são as sugestões desse pessoal qualificado que escolhemos para debater. Por exemplo, não adianta falar em reduzir as despesas do Estado sem dizer quais despesas e como fazer isso. Além das sugestões concretas, falaremos das dificuldades em levá-las adiante.

Como os eixos do projeto foram estruturados?

Pegamos os grandes temas que precisam ser debatidos no Brasil, como saúde, segurança pública, economia, competitividade, segurança jurídica. O material final de tudo isso será editado em um caderno a ser entregue ao presidente eleito. A ideia é que esse sumário sirva como balizador para que a próxima gestão, ao menos, possa avaliar as propostas.

O Brasil converge ao apontar seus principais problemas. Também podemos concordar quanto às soluções?

Já existe bastante consenso com relação a quais são os problemas. Com relação às saídas, não necessariamente há consenso, mas o governo tem que ser propositivo. Não é pelo fato de não haver consenso que não devemos ter uma direção. O que queremos com o Brasil Adiante é apontar a direção e quais obstáculos terão que ser contornados ou vencidos para que essas sugestões possam caminhar. Citando Margaret Thatcher, o consenso é a negação da liderança. Um governo precisa liderar e deve levar suas propostas adiante sabendo que não há consenso, que haverá dificuldades.

Há espaço para soluções que rompam a polarização?

Existe espaço para que a gente consiga uma maioria. Sempre vai haver polarização, divisão. Costumo dizer que todas as propostas, sejam as que preveem maior participação do Estado ou mais liberais, elas buscam o bem-estar da sociedade. A esquerda não tem o monopólio de querer o bem social do País. Muitas propostas que ouviremos serão mais liberais e todas também buscam o bem-estar social do País. Assim como ninguém diverge quanto ao diagnóstico, ninguém discorda do objetivo final.

É importante que, não havendo dúvida com relação ao objetivo final e não havendo dúvida com relação ao diagnóstico, a gente possa divergir com relação ao caminho. Alguns caminhos serão mais à esquerda, outros mais à direita, mas todos buscam o mesmo fim. Não haverá consenso, certamente, mas o que esperamos é um governo que assuma com um plano em mãos. O plano não é para um ou para outro governo, mas é para se ter um plano em mãos.

Por que os dois primeiros anos de um governo são tão importantes?

É senso comum que um governo, quando acaba de ser eleito, tem um mandato muito forte, pois acabou de ter o voto popular e, normalmente traz consigo uma bancada que o apoia muito no início, independentemente de orientações serem mais próximas ou menos próximas, e ao longo do mandato vai perdendo força. A ideia é fazer logo no começo, de maneira a ter o apoio necessário, seja o apoio popular, seja o apoio parlamentar, para levar adiante aquilo que precisa ser feito, a tempo de colher os primeiros resultados até o final do mandato.

E de que forma serão conduzidos os debates?

O principal ponto será, justamente, como contornar os obstáculos, as reações que existem. Muitas dessas sugestões são até conhecidas. Mas o debate também precisa versar sobre como levá-las adiante sabendo que haverá uma reação negativa, que haverá obstáculos.

Link da publicação: https://www.estadao.com.br/politica/o-proximo-mandato-deve-ter-um-plano-de-acao-diz-fabio-barbosa-curador-do-brasil-adiante/

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