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O governo dos Estados Unidos “não tem nenhuma razão” ao atacar o Pix e citar um suposto conflito de interesses do Banco Central, disse Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de Política Monetária do BC, no Poder e Mercado, do Canal UOL.
Segundo ele, o sistema virou um concorrente forte de empresas de pagamentos, por ser instantâneo e gratuito. Para Figueiredo, a crítica americana tem motivação comercial, não técnica.
“O governo americano nesse caso não tem nenhuma razão. A razão é zero. É uma questão de que ele gostaria de colocar um pouco o seu peso para defender as empresas americanas. Mas é uma coisa totalmente descabida. Na verdade, o Banco Central opera o Pix, cujo dono é o país.”
Figueiredo disse que empresas estrangeiras gostariam de ter um sistema semelhante ao Pix, que definiu como “invejável” por funcionar em tempo real, 24 horas, e sem custo para o usuário. Para ele, isso explica a irritação de competidores.
“Essas empresas queriam ter o Pix delas. O Banco Central fez um trabalho de muitos anos para modernizar o sistema e trazer o Pix, que é essa transação direta em tempo real, 24 horas, que é invejável por todos os outros sistemas. E ainda de um jeito que é de graça.”
“O Pix é muito inclusivo. O Banco Central vem há muitos anos nesse trabalho de modernizar o sistema, de torná-lo muito mais inclusivo, trazendo muita gente que não tinha acesso ao sistema financeiro.”
Na avaliação dele, o efeito do Pix foi reduzir as vantagens e a rentabilidade de intermediários nos pagamentos, em um processo que já vinha desde a criação da TED, no início dos anos 2000. “O Pix nada mais é do que mais uma atitude nessa direção”, disse.
“O que está acontecendo é um processo de liberalização muito grande, feito há mais de duas décadas, onde esse certo oligopólio que essas instituições têm está sendo derrubado. O Pix nada mais é do que mais uma atitude nessa direção.”
Questionado sobre o que os EUA poderiam pedir ao Brasil, Figueiredo disse que o Pix “não está em negociação” e que a discussão principal sobre tarifas deve seguir por outros caminhos. Para ele, a única forma de tornar empresas americanas mais competitivas frente ao Pix seria criar custo no sistema, algo que “não tem o menor sentido”.
“Na prática, não está havendo uma discussão sobre o Pix nesse momento. A negociação vai se dar e o Pix não tem nada a ver com isso.“
Link da publicação: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2026/06/02/governo-americano-nao-tem-nenhuma-razao-a-razao-e-zero-diz-figueiredo-sobre-pix.ghtm
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