Entre as razões listadas pelo presidente do Fed de St. Louis para defender um aperto nos juros, está uma maior probabilidade de que a inflação esteja acima da meta nos próximos anos do que a chance de ela convergir à meta de 2%
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O presidente da distrital de St. Louis do Federal Reserve (Fed), Alberto Musalem, defendeu a necessidade de uma política monetária restritiva e disse ter expressado preferência por uma elevação de 0,25 ponto percentual (p.p.) nas taxas de juros na reunião da semana passada do banco central americano. As declarações foram dadas por Musalem durante evento em São Paulo na noite desta quinta-feira (6).
Entre as razões listadas pelo dirigente para defender um aperto nos juros, está uma maior probabilidade de que a inflação esteja acima da meta nos próximos anos do que a chance de ela convergir de volta para 2%, com base nas projeções de sua equipe.
“A segunda razão é a de que, altas de juros que acontecem antes e de forma gradual são preferíveis e menos disruptivas e custosas do que potencialmente altas de juros que ocorram depois e de forma mais abrupta.”
Nos cálculos do dirigente do Fed de St. Louis, caso todos os choques de oferta sejam retirados da conta, a inflação, ainda assim, estaria rondando entre 2,5% e 3%. “Isso ainda é acima da meta”, enfatizou Musalem, que também mencionou diversos exemplos, como o aumento dos custos devido à construção de data centers para a infraestrutura de inteligência artificial.
Em seu discurso preparado e lido na abertura do evento, o dirigente apontou que é fundamental que a política monetária imponha uma restrição significativa sobre a inflação subjacente, e que não tolere uma inflação um pouco mais alta, no momento atual, na tentativa de estimular ganhos de produtividade no futuro.
“A contribuição mais valiosa que um banco central pode oferecer ao crescimento econômico de longo prazo é proporcionar um ambiente de estabilidade de preços.”
Durante a sessão de perguntas e respostas, comandada pelo ex-diretor do Banco Central do Brasil Mario Mesquita, Musalem se disse “de mente aberta” em relação aos grupos de trabalho criados pelo presidente do Fed, Kevin Warsh, e afirmou que prefere esperar a conclusão de alguns grupos, como, por exemplo, sobre o balanço patrimonial do banco central.
Apesar disso, sobre a comunicação, Musalem disse acreditar que é importante que o Fed consiga comunicar o que é o "nosso arcabouço de política monetária e a função de reação".
“São os fundamentos da comunicação: dizer as nossas metas de forma bastante clara e o arcabouço que estamos utilizando para atingir esses alvos”, enfatizou.
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