Estadão (publicado em 14/07/2021)

Ex-presidente do BC cita volatilidade por causa das eleições, dificuldade para controlar inflação e questões externas

O ex-presidente do Banco Central e atual presidente do conselho do Credit Suisse no Brasil, Ilan Goldfajn, afirmou ontem que o próximo ano pode ser bastante desafiador, com a volatilidade provocada pelas eleições presidenciais, as questões sobre o crescimento depois da recuperação do baque em 2020 e a normalização monetária no mundo. Apesar da preocupação com 2022, Ilan avalia que a volatilidade atual dos ativos brasileiros é mais uma correção momentânea.

Ilan participou de um painel na cerimônia de entrega do Prêmio Broadcast Empresas, com o diretor executivo de Finanças da Vale, Luciano Siani, e com o diretor superintendente administrativo, financeiro e de relações com investidores da Weg, André Luís Rodrigues.

No evento, ele lembrou a discussão do ano passado, quando se dizia que a inflação no Brasil continuaria baixa por muito tempo, e destacou que a inflação está subindo e pode ficar próxima de 7% este ano, muito acima do teto da meta (5,25%). “O ano de 2022 pode ser mais desafiador, não é fácil derrubar a inflação no Brasil.”

Segundo Ilan, o Credit projeta alta de 4,5% da inflação oficial para 2022, novamente acima do centro da meta (3,5%).

Atividade econômica 5,5% a 6,0% é a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro feita pelo Credit Suisse para este ano, segundo o presidente do conselho do banco no Brasil, Ilan Goldfajn.

PIB e vacinação. O ex-presidente do BC afirmou que a retomada da atividade no Brasil está surpreendendo, mas ponderou que não a vê como resultado do andamento de reformas. Em sua avaliação, a retomada atual vem da retomada da mobilidade, que, por sua vez, vem do avanço da vacinação.

O Credit Suisse espera crescimento de 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, mas o economista indicou que pode ir a 6%. “Finalmente, estamos levando a sério. E possível que todos os adultos estejam vacinados com a primeira dose até o fim de setembro. Com a segunda dose, pode ficar para o início de 2022.”

Segundo o ex-presidente do BC, o risco atualmente para a atividade é menos a vacinação e está se deslocando para o racionamento e o cenário externo, referindo-se à expectativa pela normalização monetária nos países desenvolvidos. Ilan também destacou que é importante manter o juro básico em um dígito no Brasil até para que o crescimento do mercado de capitais prossiga.

Sobre as reformas, disse que 2021 marca o retorno da agenda, mas ponderou que é preciso verificar a qualidade dos projetos. Ele citou a reforma tributária como exemplo e disse que é preciso calibrar bem e não aprovar qualquer coisa.

Link da publicação: https://digital.estadao.com.br/search?query=Ilan&newspapers=2025&startDate=2021-7-14&stopDate=2021-7-14&hideSimilar=1&type=2&state=3

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