Palestrante: Senador Tasso Jereissati

Nota:
Tasso Jereissati comenta a situação política atual, a proposta de reforma política e a estratégia eleitoral do PSDB para 2018.

Resumo:
Comentários sobre o cenário e reforma política. O futuro do PSDB. Perguntas e respostas.

  • Cenário político
    • Em toda minha carreira política, não houve momento mais difícil do que o atual.
    • Nunca houve tanta incerteza em relação à política, nem tamanho desgaste.
    • O regime de presidencialismo de cooptação faliu depois da Operação Lava Jato.
    • É impossível governar com tantos partidos.
    • A Câmara é, ademais, composta por vários partidos sem conteúdo programático.
    • Todos presidentes, cedo ou tarde, tornam-se reféns da Câmara e quem tentar governar sem ela cai – vide Fernando Collor e Dilma Rousseff.
    • O regime atual vive de crise em crise; o fisiologismo e o pragmatismo imperam em detrimento de um programa coerente de políticas públicas.
  • Reforma política e propostas
    • A proposta de reforma política não é uma panaceia, e apresenta alguns vícios de quem a fez, mas tem pontos positivos:
      • A extinção de coligações proporcionais;
      • E a criação de uma cláusula de barreira.
    • Ambas dificultam a entrada de partidos pequenos, cujo objetivo principal é viver de recursos do Fundo Partidário.
    • Ao cabo, com a extinção do Fundo Eleitoral, a proposta é um avanço.
    • Como, no entanto, precisa-se de dinheiro para fazer campanhas, sugiro a criação de um fundo cujos recursos provenham de outros programas eleitorais.
    • Há ainda chance de haver voto distrital misto a partir de 2020, o que tornará as campanhas menos custosas e favorecer o envolvimento popular.
    • O PSDB apoia, por fim, a transição para um regime parlamentarista.
  • O futuro do PSDB
    • A suspeição em relação ao governo atual decorre de sua falta de legitimidade e voto popular.
    • Em parte por compor o governo, o PSDB é sujeito à mesma desconfiança.
    • Ademais, a cada dia aumenta a probabilidade de um embate entre Lula e Bolsonaro no segundo turno de 2018.
    • O PSDB pode e deve oferecer uma alternativa a candidatos populistas.
    • Para tanto, o PSDB deve mudar.
  • Perguntas e respostas
    • Pergunta: Quais são as mudanças que propõe ao partido?
    • Resposta: A criação de um novo estatuto, em que daremos maior prioridade ao ajuste fiscal e reafirmaremos nosso compromisso com a ética; e buscar uso mais efetivo das redes sociais, como fez Bolsonaro.
    • Pergunta: Por que, então, falamos dos mesmos candidatos?
    • Resposta: Quadros estabelecidos têm mais influência e tendem a se preservar.
    • Pergunta: A reforma da Previdência será aprovada antes de 2018?
    • Resposta: Não creio que passará neste mandato, pelo menos não como está dada. Talvez seja aprovada se for desidratada e a normalidade retornar.
    • Pergunta: E no próximo mandato?
    • Resposta: Um presidente recém-eleito terá respaldo popular para implementar as reformas, ainda que duras.
    • Pergunta: Parece que a ficha ainda não caiu para boa parte do setor público. As corporações e o Judiciário, em particular, oferecem muita resistência – por exemplo, a gravação de Joesley Batista saiu poucas semanas antes da votação. Como vencer esta resistência?
    • Resposta: O Judiciário é um obstáculo, mas não creio que a reforma passaria mesmo na ausência de denúncias. Não podemos, ademais, culpar o Ministério Público ou a imprensa por nossos erros.
    • Pergunta: A população não se importa com o programa partidário. Lula e Bolsonaro lideram as pesquisas porque atendem anseios concretos do eleitorado.
    • Resposta: Estamos aprendendo com o MBL como tirar proveito redes sociais. Embora não concordemos com as posições do MBL, ele consegue atingir um público grande e jovem.
    • Pergunta: Tanto Lula quanto Bolsonaro lideram pesquisas porque atendem anseios imediatos da população. Bolsonaro apoia-se no conservadorismo do eleitorado e em um discurso de “Lei e Ordem” contra a violência. Como o PSDB se posiciona em relação à violência? Não corre o risco de ser visto como leniente?
    • Resposta: Não podemos vender uma proposta danosa e ineficaz e em que não acreditamos. Nossas propostas não são tão chamativas, mas nem por isso as consideramos lenientes. Uma política que devemos usar como exemplo é a que Rudolph Giuliani adotou quando era prefeito de Nova York e que reproduzi no Ceará: mais policiamento ostensivo e menos tolerância. Resumo e Nota do Evento preparados por: Maurício Schwartsman