Baixo desemprego e baixa produtividade

Henrique Meirelles

A baixa produtividade do trabalho é um dos principais limitadores do crescimento de uma economia

Estadão

O desemprego no Brasil está em um nível historicamente baixo, 5,3% no segundo trimestre, de acordo com dados da Pnad Contínua, feita pelo IBGE. Apesar do nível de contratações nos últimos meses estar abaixo do padrão, um número importante de trabalhadores, beneficiados pelos programas sociais, não procura emprego. Além disso, muitos trabalham por conta própria.

No passado recente, o alto desemprego era tema das campanhas eleitorais. Este ano temos uma boa oportunidade para os candidatos tratarem do passo seguinte, de propostas para o aumento da produtividade do trabalho.

Esse é um dos maiores desafios do Brasil. Nossos índices são historicamente baixos. No ranking de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil está em 94º lugar entre 184 países. A produtividade de um trabalhador brasileiro é equivalente a 25% da produtividade de um americano.

A produtividade por hora trabalhada caiu 0,5% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas.

A baixa produtividade do trabalho é um dos principais limitadores do crescimento de uma economia. Como disse Paul Krugman, vencedor do prêmio Nobel de Economia, “produtividade não é tudo, mas, a longo prazo, é quase tudo”. Com o fim do bônus demográfico, o crescimento do PIB do Brasil dependerá não mais do aumento de mão de obra, mas do aumento da capacidade de cada trabalhador produzir mais no mesmo tempo.

Aumentar a produtividade exige aprimorar a educação e investir em tecnologia e equipamentos. Formar melhor o trabalhador é essencial. Não se faz isso sem melhorar a qualidade da educação, desde o nível mais básico até o ensino superior.

Já contei aqui que, no início da década de 1990, o ex-primeiro-ministro de Singapura Lee Kuan Yew me disse que o crescimento vertiginoso do país estava relacionado a três decisões. Perguntei quais e ele repetiu três vezes a frase “investimento em educação”.

Os candidatos a presidente podem prometer mais crescimento para os próximos quatro anos, mas a realização disso vai depender de aumento da produtividade. Seria saudável um debate de propostas para melhorar a formação dos jovens que ocuparão esses empregos no futuro.

Um dos desafios é ampliar e aperfeiçoar o ensino técnico, capaz de formar um importante contingente de mão de obra hoje em falta no país. O desafio depois é garantir a oferta de bons empregos. Afinal, todo jovem se dedica a estudar pela perspectiva de um bom salário.

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As opiniões aqui expressas são do autor e não refletem necessariamente as do CDPP, tampouco as dos demais associados.

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