Para o Fed de St. Louis, AI não garante inflação menor, e o Fed precisa apertar

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Brazil Journal

Kevin Warsh, o novo chairman do Federal Reserve, se alinha aos economistas que veem a inteligência artificial como um potente e rápido choque na produtividade – exercendo uma força desinflacionária que permitirá juros mais baixos.

Mas a visão está longe de ser um consenso dentro do próprio Fed – e uma das principais vozes contra o argumento de que uma inflação mais alta no curto prazo deveria ser tolerada em nome dos eventuais ganhos de produtividade é Alberto Musalem, o presidente do Federal Reserve de St. Louis.

“Sou otimista em relação à AI, mas as evidências ainda não justificam definir a política monetária com base na expectativa de um crescimento da produtividade no futuro,” Musalem disse em uma apresentação no Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP), em São Paulo, na quinta-feira passada.

“A meu ver, adotar uma política monetária mais expansionista do que as condições justificariam na tentativa de alcançar um crescimento mais elevado seria um erro,” afirmou. “A magnitude dos eventuais ganhos de produtividade é altamente incerta, e o argumento a favor de uma política mais frouxa pressupõe a credibilidade da política monetária.”

Em seu discurso, Musalem afirmou que a “contribuição mais valiosa que um banco central pode dar ao crescimento de longo prazo é proporcionar um cenário de estabilidade de preços no qual as empresas possam planejar os investimentos e as inovações que impulsionam a expansão da economia.”

“A tarefa de fomentar o aumento da produtividade cabe mais adequadamente às políticas fiscal e regulatória,” disse o economista.

Para Musalem, é “sedutora” a ideia segundo a qual a tolerância a uma inflação mais elevada e juros mais baixos levariam ao aumento de investimentos, que por sua vez trariam mais produtividade e custos de produção menores.

“O problema é que esse raciocínio toma como certa a credibilidade do banco central,” disse ele. “Só funcionaria se famílias, empresas e investidores continuassem esperando que a inflação retorne à meta.”

Segundo Musalem, “uma vez perdida a credibilidade, é custoso reconstruí-la” – e a história sugere que poderia exigir “um longo período de taxas de juros reais dolorosamente elevadas, alta taxa de desemprego e perda de produção.”

Musalem não tem voto nas decisões de juros do FOMC, mas defendeu que o Fed deveria ter elevado a taxa em 0,25 ponto na reunião da semana passada, em vez de tê-la mantido inalterada no range entre 3,5% e 3,75%. O placar foi de 9 a 3, com os três representantes dos Feds regionais votando pela elevação de 0,25.    

Na sessão de perguntas e respostas conduzida pelo economista Mário Mesquita, um ex-diretor do BC e membro da diretoria do CDPP, Musalem explicou que teria optado por uma alta da Fed Funds por duas razões.

“A primeira é que, com as taxas nos níveis atuais, a probabilidade de a inflação ficar significativamente acima da meta daqui a um ano ou ano e meio é maior do que a probabilidade de ela convergir novamente para a nossa meta de 2%,” afirmou. “A segunda razão é que acredito que aumentos de juros precoces, graduais e incrementais são preferíveis – por serem menos disruptivos e menos custosos – a alterações potencialmente mais abruptas em um momento posterior.”

De acordo com Musalem, a análise dos economistas do Fed de St. Louis mostra que a inflação subjacente, expurgando os choques recentes de oferta – como a alta das tarifas e do petróleo –, está rodando entre 2,5% e 3%. “Isso significa que a demanda está empurrando a inflação acima da meta.”

Em entrevista recente ao Financial Times, Musalem disse que o selloff nos Treasuries é um “sinal de alerta” para a credibilidade do Fed.

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As opiniões aqui expressas são do autor e não refletem necessariamente as do CDPP, tampouco as dos demais associados.

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